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Bíblia Católica

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A difícil missão de um padre!

Caros leitores,

Venho mais uma vez aqui falar das reticências que os fieis colocam á vida de párocos como o que temos e os que já tivemos na nossa freguesia. A missão de um padre é, de facto, difícil! Vejamos o sacrifício que o Pe. António não faz para aturar um organista irreverente como eu. lol A verdade é que enquanto os crentes apenas ouvem um padre na missa de domingo e numa ou noutra á semana, o pároco da freguesia tem de ouvir muitos fieis todos os dias. É certo que nem todos somos iguais. Uns são simpáticos e desejam o bem de todos, outros são como eu que tento se lhe dá como se lhe deu, e outros (mais raros) parece que só querem trazer problemas para o seio da comunidade. é por estas e por outras razões que venho aqui publicar este artigo, não a título de defesa do nosso pároco (embora fosse conveniente depois de um artigo como o que foi escrito pelo "Pe." Mário da Lixa e de outros em tudo semelhantes), porque ele não precisa que o defendam visto que sabe muito bem defender-se sozinho, mas sim para dar a conhecer aos leitores o que o inconsciente dos crentes (e fanáticos) os leva a pensar da vida que qualquer padre da sua freguesia.

Passo a expor:
"Se o padre fala mais de dez minutos é «chato».
Se o padre fala pouco, falta-lhe ciência e cultura.
Se fala alto, grita muito.
Se fala baixo, não se ouve nada e a aparelhagem sonora não presta.
Se tem carro é amigo dos ricos.
Se não tem, devia tê-lo porque anda sempre a incomodar os paroquianos pedindo boleia.
Se visita as famílias, anda a ver se se mete na vida alheia.
Se não visita, é padre da sacristia que não sabe conviver.
Se pede ofertas, vive para o material sempre a pedir dinheiro.
Se não pede, não se preocupa com as obras paroquiais e sociais.
Se atende a pessoas com calma, esquece-se de quem espera.
Se é breve, não liga nada dos problemas do seu povo.
Se trabalha fora, nunca se encontra na igreja.
Se não trabalha, passa o dia sentado á espera das beatas.
Se começa a missa na hora certa, obriga toda a gente a correr.
Se não começa, nunca tem horário.
Se é jovem não tem nenhuma experiência.
Se é velho, já se devia ter aposentado.
Se fala com as mulheres é namorador.
Se não fala, é um complexado a precisar de tratamento psiquiátrico.
Se fala do pecado e confissão,é um antiquado.
Se não fala, é um padre sem fé e sem doutrina.
Se exige preparação para os sacramentos, devia ser mais compreensivo.
Se não exige, é um deixa-correr, que não se preocupa com a formação.
Se usa batina, ainda está no Concílio de Trento.
Se não usa, tem medo de aparecer como padre.
Se manda tocar o sino ao domingo, atrapalha o descanso de toda a gente.
Se não manda, acabou com um costume tão bonito. Por isso o povo não vai á missa.
Se se preocupa com os pobres, é um subversivo.
Se não se preocupa, esqueceu-se do mandamento do amor.
Se fala com os ricos, é aliado do capital.
Se não fala, despreza os que o poderiam ajudar.
Se dinamiza a liturgia, ninguém entende mais a missa que já é teatro.
Se não dinamiza, estas missas mortas afastam os jovens.
Se é transferido, foi pena! Era um bom trabalhador...
Se vem um substituto, agora sim, o que se foi não fez nada.
Se morre, era o melhor padre do mundo.
Um mês após o seu falecimento: Que falta nos faz este padre! Que Deus tenha compaixão de dele e de nós que nem sempre o compreendemos!"

Vejam bem meus amigos, pois o nosso Pe. António é comedido em todos estes aspectos, pois entre os dois pólos encontrou o meio termo, e mesmo assim ele, e com ele toda a paróquia, passa algumas dificuldades.. Se Deus que é Deus não agrada a todos, para quê apontar o dedo ao presente e dar trunfos ao passado? Acordemos para a vida que a morte é certa!

Um abraço,
Xavier de Sousa Coutinho

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